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riscos_e_rabiscos

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Os Santos Populares.

(Foto minha - versinho que acompanhava um manjerico que me foi oferecido pelos meus alunos o ano passado.)

Antigamente, enquanto eu fui miúda e adolescente, em todos os cantinhos aqui da minha zona - e eram muitos - haviam bailaricos. Era engraçado porque, na mesma rua, chegavam a haver dois bailaricos. Depois havia aqueles sítios que eram o "Top", como se fossem as discotecas mais famosas. Era aí que o pessoal namoradeiro ia controlar a potencial cara metade.

 

As noites de verão eram mais quentes e agradáveis, não havia internet nem telemóvel e a televisão à noite também não era nada de especial. Então, a seguir ao jantar, as amigas e os amigos encontravam-se e iam para os bailaricos. Geralmente, corriam-se os cantinhos todos para ver qual era o melhor em termos de música e de "vistas". Aquele que estivesse a bombar era onde se ficava. E é engraçado que mesmo não havendo telemóveis, os pais sabiam sempre onde estávamos.

 

Depois começou a aparecer a chungaria. Surgiram as bebedeiras desordeiras, as agressões, os grupos de gangs e o consequente desaparecimento progressivo destes cantinhos, que eram um pretexto para a comunidade local conviver em harmonia e alegria.

 

Hoje, acho que já não há nenhum bailarico aqui na zona, pelo menos desconheço, e se quisermos ir a algum arraial, temos mesmo que ir para os famosos bairros lisboetas.

 

Esta época também me traz muita saudade da minha época de universidade. Tinha sempre frequência no dia do desfile das marchas na Avenida da Liberdade, o que me tramava em termos de transportes pois parava tudo. Eram tempos giros mas que ficaram lá atrás.

A Culpa é do António!

 

 

A noite de ontem foi de festejo. Como sabem, hoje é feriado em Lisboa e, como tal, não podia passar-se sem haver o desfile das Marchas Populares, o degustar da bela sardinha assada, as voltinhas por Alfama e o lançamento da moedinha ao Santo Padroeiro.

 

As ruas estavam repletas de gente. Umas que viam as marchas, outras que confraternizavam e ainda outras que tentavam ganhar uns cobres extra.

A noite estava excelente. A temperatura era de 23 graus. E realmente convidava a passear pelas belas ruas lisboetas.

 

Fazia-se tarde e a fome começava a apertar. Começámos a descer a avenida em busca da bela sardinha assada. Conseguimos descobrir o cheiro típico e seguimo-lo para satisfazer as nossas papilas gustativas. Circulámos pelo meio de alfacinhas e turistas também desejosos de uma mesa onde se pudessem sentar e apreciar tão famoso pitéu.

 

Tivémos direito a um lugar semi-recatado, se é que isto é possível no meio de centenas de pessoas. Pedimos sardines e entremeadas on carvon, que degustámos calmamente ao sabor de uma sangria fresca.

Tentaram enganar-nos na conta mas quem foi enganado foi o empregado. Esperteza saloia rules!

 

Vimos gente famosa, sim, porque afinal elas até são de carne e osso como nós e também come. Apesar de parecer que muitas não o fazem.

 

Rumámos a Alfama para comprar o perfumado manjerico e lançar a moedinha da praxe (que rapidamente foi recolhida pelos mitras de serviço), e de seguida voltámos para a avenida.

 

Com o terminus das marchas, começaram as situações hilariantes no WC público improvisado. Isso mesmo!

Situação nº 1: sai um fulano disparado de um compartimento muito aflito e a abanar o nariz, indicando que algum cheiro lhe terá desagradado. Pergunta: seria cheiro do próprio ou alheio?

Situação nº 2: Um homem aflito dirige-se a um WC aparentemente disponível. Ao abrir a porta, apanha o maior susto da sua vida – magotes de gajas dentro do WC que desataram aos gritos quando a porta se abriu. Pergunta: descobriram porque é que as gajas nunca vão sós ao WC? Pois… então também não foi desta vez!

 

Resumindo, foi uma noite óptima e com uma temperatura excelente. Só houve uma coisa menos agradável: descobri uma bolha enorme na sola do pé que me está a irritar solenemente.

A culpa é do António… do Santo, pois está claro!!!

(agora até podia por aqui o videoclip do Toy “Chama o António” mas estava esgotado no youtubos!)